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Redução de Danos

O loló ainda circula com aparência de brincadeira

O loló ainda circula com aparência de brincadeira

O loló ainda circula com aparência de brincadeira. Tem cheiro adocicado, nomes disfarçados e presença comum em festas na cena eletrônica. Mas tratar essa substância como diversão é ignorar um alerta grave de saúde pública: por trás do odor artificial existe uma mistura de solventes inalantes capaz de provocar dependência, lesões cerebrais, arritmias, convulsões e morte.

A substânica age rápido. Ao ser aspirada pelo nariz ou pela boca, chega aos pulmões, entra na corrente sanguínea e alcança o sistema nervoso central. Em poucos segundos, pode provocar euforia, desinibição, sensação de prazer e falsa coragem. O problema é que esse efeito dura pouco, muitas vezes apenas alguns minutos, o que leva ao uso repetido para manter a sensação inicial. É aí que o risco aumenta.

O loló vendido hoje não é o mesmo que ficou conhecido em carnavais antigos. A fórmula se tornou mais perigosa, com substâncias químicas de uso industrial, aromatizantes e solventes que mascaram o odor tóxico. O que parece “cheirinho de morango, coco ou chiclete” pode carregar compostos capazes de comprometer cérebro, coração, fígado, rins e respiração.

Entre os efeitos imediatos estão tontura, perda de memória, alteração visual e auditiva, tremores, fala descoordenada, agressividade, pânico e desmaios. Quando misturado com álcool ou outras drogas, o risco de coma, parada cardíaca e insuficiência respiratória cresce ainda mais. Em doses altas ou repetidas, o loló pode causar overdose.

A resposta não pode ser apenas repressão ou moralismo. É preciso informação clara, acolhimento e redução de danos. As pessoas devem saber que “só experimentar” também pode matar. Quem usa precisa evitar misturar substâncias, não consumir sozinho, procurar local arejado e buscar ajuda ao primeiro sinal de mal-estar, confusão mental, falta de ar ou dor no peito. Amigos e familiares devem acionar socorro imediatamente em casos de desmaio, convulsão ou dificuldade respiratória.

Reduzir danos é salvar vidas. E salvar vidas começa por tirar o loló do campo da piada e colocá-lo onde ele realmente está: no centro de uma emergência de saúde pública.

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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