Em uma cena marcada por excesso de referências, velocidade de lançamentos e pressão
@lipe__lourenco
Em uma cena marcada por excesso de referências, velocidade de lançamentos e pressão por hits, DJ Lipe Lourenço @lipe__lourenco aposta em um caminho menos automático: identidade. Para ele, o grande desafio de um DJ no Brasil não é apenas tocar bem, mas construir uma assinatura capaz de traduzir quem se é.
“A cena brasileira é extremamente rica e cheia de talentos, especialmente dentro do circuito de festas. Ao mesmo tempo, o grande desafio está em criar uma identidade própria”, afirma. Em um mercado no qual todos têm acesso às mesmas músicas, playlists e tendências, diferenciar-se passa a depender menos do repertório óbvio e mais da leitura artística.
Lipe bebe de muitas fontes. Escuta outros ritmos, pesquisa sons fora do circuito, acompanha sets de DJs de diferentes estilos e troca ideias com amigos da música. O objetivo é levar para a pista uma mistura entre nostalgia e descoberta. “A pista gosta dessa mistura entre músicas clássicas, que criam conexão imediata, e novidades que fazem o público marcar aquele set na memória”, diz.
Para ele, emoção é o centro da experiência. O arrepio de um drop, o vocal cantado em coro, a explosão coletiva de uma faixa inesperada. Tudo isso orienta sua forma de pensar a noite. Mas a técnica só ganha força quando vem acompanhada de sensibilidade para ler cada cidade, festa e público.
Se pudesse aconselhar a si mesmo no início da carreira, Lipe seria direto: confiaria mais no próprio gosto musical. “No começo é natural querer agradar todo mundo ou seguir o que está no topo, mas com o tempo entendemos que o que realmente conecta com o público é a autenticidade”, resume.
Em sua visão, a pista segue sendo espaço de liberdade, encontro e celebração. E contribuir para isso, segundo ele, é mais que trabalho. É privilégio.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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