Em um mercado historicamente dominado por homens, a trajetória de DJ Lobinha @djlobinha é mais do que música
@djlobinha
Em um mercado historicamente dominado por homens, a trajetória de DJ Lobinha @djlobinha é mais do que música. É resistência, identidade e reinvenção. Nascida em Natal e radicada em Fortaleza há 16 anos, Tércia Lima construiu uma carreira sólida atravessando gerações, estilos e transformações da cena eletrônica.
“Tenho 45 anos e estou há 25 nesse ramo. Fui a primeira DJ feminina da minha cidade”, relembra. O início veio cedo, ainda na adolescência, entre programas de rádio e observação atenta das cabines de boate. “Eu via de perto o poder que um DJ tinha de emocionar uma pista. Aquilo me marcou pra sempre.”
A carreira começou na cena hetero, com forte influência do house raiz. Anos depois, foi nas pistas LGBTQIAPN+ que encontrou conexão definitiva com o tribal house. “Sempre fui cativada por sonoridades mais harmônicas, pesadas de um jeito bom. Sou cria do Euro Dance. Onde tem melodia que vem do coração, é dessa fonte que eu bebo.”
Ao longo de duas décadas e meia, Lobinha viu a cena mudar várias vezes. Para ela, o maior desafio nunca foi técnico, mas conceitual. “A profissão exige reinvenção constante. O mais difícil é manter a mente aberta pro novo sem perder a identidade. Nunca deixei de tocar o que acredito. Isso é resistência.”
Hoje, além das pistas, a artista mira a produção musical. “Quero focar mais nisso e lançar minha segunda música autoral. A primeira, ‘Peso do Bom’, saiu na pandemia.”
Se pudesse voltar no tempo, o conselho seria simples. “Diria pra não me preocupar. Tudo dá certo, até quando parece que não. É só seguir o coração e a música.”
Entre batidas e escolhas firmes, DJ Lobinha prova que permanecer fiel à própria essência ainda é o ato mais revolucionário da pista.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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