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A trajetória de Gui Valenga @valengadj é atravessada por música, mas sobretudo por verdade

@valengadj

A trajetória de Gui Valenga @valengadj é atravessada por música, mas sobretudo por verdade

A trajetória de Gui Valenga @valengadj é atravessada por música, mas sobretudo por verdade. Paranaense, o DJ construiu sua relação com a cena tribal house a partir de vivências pessoais profundas. “A música era, antes de tudo, companhia em um momento extremamente doloroso da minha vida”, relembra, ao falar da adolescência marcada por conflitos em torno da sexualidade e pelo encontro com hinos de afirmação como I Am What I Am e Born This Way.

O contato com a música eletrônica LGBT+ veio de forma intuitiva, entre downloads, remixes longos e referências que iam de Thunderpuss a vocais icônicos da cena brasileira. Ainda assim, virar DJ não era um plano claro. A virada aconteceu em 2018, com o curso feito com a DJ Mara Borges na Atomic. “Como acontece com muita gente no início, comecei meio perdido, sem identidade. Só cerca de três anos depois fui realmente me encontrar sonoramente”, conta.

Hoje, com oito anos de carreira, Gui soma apresentações em seis países e dois festivais LGBT+, sempre guiado por uma escuta aberta e curiosa. “Quanto mais experiências busco fora da minha bolha, mais consigo alimentar meus sets”, afirma. Suas referências transitam sem pudor entre samba, pop, funk e disco house. “Se você passar um dia comigo, a trilha sonora começa no samba e pode terminar em disco house.”

Crítico à lógica acelerada das redes, ele aponta um dos grandes dilemas da cena atual: “A busca constante por engajamento acaba afastando a criação. Engajamento abre portas, mas é a verdade que mantém elas abertas.” Para Gui, resistir à padronização é um ato necessário. Seus próximos passos envolvem produção musical, novas faixas sendo testadas na pista e um compromisso claro com uma cena mais leve e inclusiva.

No fim, ele resume sua filosofia com precisão: “Só existe Valenga DJ se existir o Guilherme Felipe primeiro.” É dessa coerência entre vida e arte que nascem seus sets e suas conexões mais verdadeiras.

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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