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A palavra experiência passou a ocupar todos os espaços

@andrealmada

A palavra experiência passou a ocupar todos os espaços

A palavra experiência passou a ocupar todos os espaços. Está na gastronomia, nas viagens, nas compras, nas marcas e, claro, nas festas. Tudo passou a ser vendido como experiência. O problema é que, quando uma palavra tenta explicar tudo, ela começa a não dizer quase nada.

Para o produtor André Almada @andrealmada com mais de 30 anos de atuação no mercado de eventos, o desgaste do termo não elimina sua importância, mas exige uma reflexão mais honesta. “Eu continuo acreditando que as pessoas saem de casa em busca de uma experiência. Só que ela não acontece porque alguém prometeu essa experiência. Ela acontece quando alguma coisa toca essas pessoas de verdade”, afirma.

A crítica mira um ponto sensível da indústria do entretenimento. Em muitos casos, a palavra experiência virou slogan, recurso de venda e embalagem publicitária. Mas uma noite realmente marcante não nasce de uma promessa estampada em uma campanha. Ela se constrói quando música, ambiente, encontro, afeto e memória se cruzam de forma imprevisível.

“Eu nunca vi ninguém sair de uma festa lembrando da campanha de marketing prometendo essa experiência. O que as pessoas lembram é uma música que marcou uma fase da vida, um casal que se conheceu naquela noite, uma amizade que começou por acaso, um reencontro inesperado ou aquela sensação que faz alguém voltar anos depois tentando reviver um momento que nunca esqueceu”, diz Almada.

É aí que está a diferença. Experiência não é o produto, não é o conceito e não é o slogan de uma festa. É consequência. O produtor pode cuidar da música, da operação, da equipe, da segurança, do atendimento e de cada detalhe. Mas aquilo que transforma uma noite em lembrança permanente não está totalmente sob seu controle.

Para Almada, o papel de quem produz é criar as condições para que algo verdadeiro aconteça. O restante pertence ao público. “Se alguém disser que viveu uma experiência inesquecível em um evento meu, eu vou ficar feliz. Não porque essa era a promessa, mas porque fizemos aquilo que estava ao nosso alcance. O resto pertence às pessoas que estavam ali”, afirma

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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