A cena brasileira de tribal house mudou de som, de festas e até de público depois da pandemia
A cena brasileira de tribal house mudou de som, de festas e até de público depois da pandemia. Mas uma coisa não mudou: quem sustenta a pista ainda é quem está nela há muito tempo. Pesquisa do Circuito Tribal House mostra que 61,6% do público frequenta festas do gênero há mais de cinco anos. É uma maioria larga, formada por pessoas que atravessaram diferentes fases da cena, acompanharam o auge dos grandes clubs, a crise do período pandêmico e a retomada dos eventos.
Ao mesmo tempo, o levantamento derruba a ideia de que o tribal house parou no tempo. Somados, 38,4% dos participantes começaram a frequentar essas festas nos últimos cinco anos. São 18,2% entre três e cinco anos, 16,5% entre um e três anos e 3,7% com menos de um ano de pista.
O dado ajuda a entender a mudança radical na sonoridade do pós-pandemia. O tribal mais pesado, marcado por batidas percussivas, passou a dividir espaço com uma linha mais progressiva, melódica e próxima de outras vertentes da música eletrônica.
Mas seria simplista colocar essa transformação apenas na conta dos novos frequentadores. A maioria do público já conhecia a cena antes dessa virada. O que os números mostram é uma combinação mais interessante: veteranos aceitaram novas referências enquanto uma geração mais recente entrou por uma porta sonora diferente aberta por festas clandestinas.
“A cena se renovou sem apagar quem já estava nela. O público antigo continua sendo a base, mas quase quatro em cada dez pessoas chegaram nos últimos cinco anos. Isso pesa nas escolhas dos produtores, dos DJs e na própria identidade das festas”, afirma Marcus Andrade, responsável pelo estudo.
A mudança de som, portanto, não nasceu apenas de uma troca de público. Ela também foi uma resposta da própria cena para continuar viva, ampliar alcance e conversar com novas formas de consumir música e entretenimento.
O Circuito Tribal House aplicou o formulário a 834 pessoas entre os dias 1º e 10 de julho, com participantes de todos os estados brasileiros.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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